Segunda-feira, Julho 28, 2008
enviado por Cintia M. @ 12:06 PM
CLOSED
É, não tem jeito. Foi importante, foi legal, mas o ciclo está encerrado. Como diria Ana Carolina: quem sabe eu volte cedo, ou não volte mais.
E-mail: cinmac@gmail.com
MSN: cintiax2@hotmail.com
Quem quiser escrever, fique à vontade. Responderei, como sempre foi.
Obrigada a quem passou por aqui e, de alguma forma, acrescentou algo!
Até.
Quarta-feira, Julho 16, 2008
enviado por Cintia M. @ 9:26 PM
SUPERVIA
E pensar que num dia eu era palavras na tela, sopro, deduções e no outro estávamos lado a lado, ele e eu, ambos com aquela timidez natural a dois estranhos cujos olhos ocasionalmente se esbarram sem querer numa loja, sala de aula ou ônibus. Não era mais a escritora e o leitor, distância, abstrações - agora era uma voz ao telefone, um convite, risadas, passado abordado em perguntas possíveis, intimidade instantânea, tudo isso culminando num silêncio estreito entre dois corpos vindos de estados diferentes, donos de mundos vários, e nessa intersecção de dois conjuntos me lembro bem: até quando não se sabe o que fazer diante do outro pode haver uma graça, um afeto e uma reciprocidade que aos poucos se revela única.
Noite caindo, muita gente, estação de trem; sem apresentações formais, sem roteiros, um abraço em meio à reverie, tempo escoando para uma despedida anunciada; quanto exatamente demora para eclodir a personalidade que de fato cada um carrega? Centenas de quilômetros separando dilemas que nunca se revelaram, só algumas predições, e-mails, apoios manifestados e de repente a chance de descarregar todos os segredos à queima-roupa, todas as mágoas e confessar o desejo de todas as curas em uma dose única, pra nunca mais. Foi então que você desviou o olhar para longe e começou a falar, insistentemente abrindo e fechando a bolsa que carregava junto ao corpo, a falar qualquer coisa, todas as coisas, perguntas, respostas, negações de si mesmo, elogios, opiniões, descobertas, fugas, propostas, todo um passado recente condensado em frases simples muito breves que eu não queria interromper, mas era preciso, que eu não queria deixar sem um final brilhante ou uma tirada mordaz, mas era preciso, porque o risco era você dali a pouco subir as escadas e ir embora achando que não passou de mero acaso, tropeço, absurdo e eu não podia deixar assim, um ponto aberto, solto, prestes a desfazer a trama inteira. Não depois de um ter se disposto a cuidadosamente romper o casulo que limitava o mundo do outro - e é claro que o outro era eu.
- Você vai ver... Daqui a dois anos, mais ou menos, eu terei decifrado você.
Ri, perguntei se era ameaça, aposta, brincadeira, você disse que não, claro que não, que era o tempo. Sempre, o tempo. Que não adianta fechar-se; cavernas, casulos, meros esconderijos que não resistem à ação do dias que passam, é inevitável, tudo revela-se um dia. Ou quase tudo, que um segredo ou outro alimenta todos os trunfos e todas as esperanças de compreensão. Pausa. Suspiro. Relógio. Ofereço uma bala com papel dourado, você aceita e pergunta se é a única, preocupado, se for a única não quer; digo que não, que tem outras. Tem outras balas, outras frases, outros tiros à espera do disparo exato - verdades difíceis, desilusões fortes, destinos negados - e enquanto recito com uma casualidade adolescente meu presente e futuro imaginado você me escuta sem me ver, sem me encarar. Talvez eu não seja nada do que esperava meu leitor; talvez não seja tão difícil, tão profunda ou tão inteligente quanto pensam. Quanto ele pensava? Entre o barulho de um trem e outro eu refletia sobre o quanto é inútil se expor, criar uma imagem para desmembrá-la com empenho num encontro real, em que percebem que tenho sim cicatrizes e medos e forças que me levam além do que foi escrito, mesmo não sendo assim tão polido e encerado como nos textos que muita gente faz questão de não ler.
Meia hora, quarenta minutos depois, tenho de ir mas não quero, é uma pena; nós dois debruçados no parapeito da estação, os trilhos à nossa frente indicando que não importa quem vai ou quem fica, mas que escolher a direção é uma tarefa inquestionável. Novo suspiro; olhos nos olhos e um breve silêncio, espécie de tristeza efêmera que precede a saudade; rio alto para disfarçar, você abaixa a cabeça como quem assente. Nós ainda vamos nos ver de novo, ainda escuto você dizer antes de embarcar. Vamos sim. Temos o tempo de uma vida inteira pela frente.
Dias depois, uma frase sua pisca na tela do monitor: com você eu me senti uma pessoa. Foi quando eu descobri que cada segundo daquele encontro valeu imensamente a pena.
ouvindo: Emmy Rossum, Slow Me Down
Sexta-feira, Julho 11, 2008
enviado por Cintia M. @ 9:37 PM
QUATRO PAREDES
Dedicado a .........
E antes de tudo, de qualquer coisa, fechar as portas, trancas, cadeados, a alma também, não deixar que nada entre, que nada atravesse, que nada questione, nada de perguntas, nada de poréns, nada de segunda opinião, de curas difíceis ou tratamentos longos; para que isso se com o único gesto de impedir todas as entradas toda a proteção é possível? Sala, janela, fim do dia, copo sobre o balcão, pés descalços, duas chamadas perdidas, corredor, quarto, cartas não-lidas, lixeiras cheias até a boca, tempo escorrendo, um rosto ou outro reaparecendo na memória como marca deixada por lápis sobre papel mal-apagado, café frio de horas antes em xícara delicadamente desenhada, meia-calça esquecida sobre a poltrona, brincos de plástico colorido jogados na escrivaninha, porta-retratos virados para baixo, canetas velhas sem tinta, palavras que nunca saem de dentro de si, verdades que nunca saem de dentro do outro, sorrisos contidos, choros negados, doses triplas, soluços, cristais rachados, orgulhos enganadores, mãos alheias, corpo próprio, nomes comuns, cumprimentos, formalidades, braços em volta da cintura noite dessas mas olhos nos olhos jamais, salivas desconhecidas, toques superficiais, frases perecíveis, vazio portátil e os outros notam, mas os outros notam o quê?, esse jeito de andar e não ver e ainda assim prosseguir em nome de algo que permanece indevassado - mistérios enterrados sob a roseira no quintal ou escondidos atrás de um quadro na parede sob a senha de um cofre inviolável.
Mesmo assim, de vez em quando uma mão, um braço, um corpo, um cheiro ou ainda tudo isso invade o limite, chega ao edifício e vai lentamente comprometendo paredes, arruinando escadas, tubulações, elevadores, vai levando tudo o que encontra pela frente sem piedade, até por não saber o que é isso - piedade? idéia estrangeira - e aos poucos há uma rendição que nada tem de gloriosa e nada tem de única nem de excepcional mas ainda assim exige uma entrega perfeita, um gesto difícil e uma aceitação da sombria dor que é agüentar a espera do que não existe e nem existirá, a não ser em projeção e teoria. A isso, disse em uma voz conformada quase inaudível: a isso que é tudo e é nada chamo confessadamente de amor.
ouvindo: The Dresden Dolls, Delilah*
Sábado, Julho 05, 2008
enviado por Cintia M. @ 11:28 AM
LONGE DE CASA
- O seu problema é esse, todo esse. Não é a falta, não é a perda, não é o tropeço; o seu problema é não se sentir livre para ir e fazer como quiser a parte que considera sua por direito. Não sabendo como entrar de vez na luta, reconhecendo que já não consegue sair dela. O mais enlouquecedor nunca vai ser o telefone que não toca, a carta que não chega; o que desgraça todas as possibilidades é a sensação de não poder dar mais um passo sobre o nada porque o caminho foi aberto mas o tombo está próximo - mesmo sabendo que a queda dói, mas não mata. Atrapalha, mas não invalida. E não há segurança possível. Infelizmente não é estar sozinho no mundo que garante a tranqüilidade de uma vida sem riscos, você sabe; porque até na solidão há uma latência do caótico, do inconfessado... Cidades submersas.
Talvez fosse o caso de traçar um plano: aprender ser o que doeria menos. Criar para si uma fantasia fácil de confeccionar e manter; um rosto pintado e roupas coloridas que escondam a carência de certezas. Para ter certezas é preciso que alguém de fora as reconheça? E vá, uma a uma, catalogando por tipo e potencial inerente de salvação? Ou de perdição, que duvidar parece mais saudável que sustentar crenças tão sólidas a ponto de já não inspirarem cuidados - uma estrada perfeita justificaria todas as displicências.
Para ter o mínimo de certezas é preciso aprender a conviver resignadamente com o peso de todas as dúvidas.
ouvindo: Alana Davis, Weight of the World
Sexta-feira, Julho 04, 2008
enviado por Cintia M. @ 9:33 PM
SERÁ?
"Os outros: expressão que denota aqueles seres que muito provavelmente são iguais a nós, mas não nos demos conta ainda porque nosso egocentrismo não permitiu."
Domingo, Junho 29, 2008
enviado por Cintia M. @ 10:54 AM
APENAS UMA VEZ
"(...) a Moça não se aborrece exatamente com a cantada barata, mas sim com a implicação que esta traz: a de que ele a subestimou terrivelmente."
Recomendo - muito - o filme.
ouvindo: Sara Bareilles, Undertow
Sábado, Junho 28, 2008
enviado por Cintia M. @ 1:29 PM
EXAUSTÃO
Então quando você se joga no sofá e entrega seu corpo à ausência de luta, quando você desiste, há algo que sobra e que é tudo: o que resta são todos os caminhos. Cada desistência é um ponto parágrafo que contém todos os implícitos.
ouvindo: Danielia Cotton, Let it Ride
Segunda-feira, Junho 16, 2008
enviado por Cintia M. @ 8:05 PM
INVERNO
Mas e se eu te disser que? Que pouca diferença faz qualquer coisa que venha de fora, quando o frio está dentro?
ouvindo: Holly Brook, Like Blood Like Honey
enviado por Cintia M. @ 7:24 PM
CACOS
E tudo o que ele quer é o que não está, o que ele quer nunca é; a busca irrefreada pelo que encaixa perfeitamente numa lacuna, a mesma de sempre, senil - espaço em branco que fica no centro do peito. Nem o café, nem a chuva caindo no vidro da janela, nem as pessoas passando com pressa nem as crianças brincando, nada, promessas impossíveis que só se cumprem nas vidas alheias enquanto ele inexiste entre um toque de celular e outro. Algumas palavras ensaiadas durante anos, as mesmas, senis, tão polidas quanto vazias de significado real, pontos mal-acabados de uma trama sempre mal-amarrada; quem olha não vê que as fragilidades ali existem, mas e se vissem? Provavelmente nada fariam - como quem aceita a própria cegueira de bom-grado e se limita a resmungar das circunstâncias, falar do tempo, dos negócios, das feiras de sábado ou das últimas do noticiário. E ele prossegue, intacto, entre um compromisso e outro: copo d'água, tensão superficial no limiar, prestes a romper com a próxima gota. Um gesto, e tudo acabaria? Um olhar atento e frágeis castelos se dissolvendo, sutis? A consciência desmontando os artifícios criados ao longo de anos. Ele era uma pessoa - e uma pessoa tão bem estruturada que tornou-se plenamente crível, irrefutável. No meio da multidão cega, ele se sente seguro sem blindagem. Não é necessário proteger o que ninguém verdadeiramente vê.
É quando então eu derrubo o copo com força; também ninguém vê. Onde é que ficam os limites quando o que resta são os cacos pelo chão?
ouvindo: ---
Sábado, Junho 07, 2008
enviado por Cintia M. @ 2:13 PM
AMANHECER
Digamos que sim, que eu não quero sempre muito, nem sempre vou ao fundo, mas tem algo que. Algo fincado, espinho cravado, cicatriz ou marca de nascença; minha última e única constância, de certa forma um leme, que melancolicamente mantém o ritmo da viagem até qualquer lugar, ou lugar nenhum. Me pergunto se o ponto final importa. Vai ter alguém esperando? Sim ou não, que diferença faz, meu caro? No fim, tudo o que importa é o que realmente carregamos por dentro. Mesmo que sejam meia-dúzia de fantasias mascaradas pelo cheiro de cigarro da mesa ao lado, ou meia-dúzia de frustrações aliviadas pelo copo sempre meio cheio de algum líquido que tire a dor.
Minha vaidade não precisa de aplausos, mas todos os meus medos necessitam de um abismo que os anule. Algo que provoque a coragem de ter o que há além. O erro maior é não estar preparada e sempre descarregar antes da hora o que era pra ser a minha parcela de munição útil. Que diria Sun Tzu? Um erro crasso: eu largo meus aprendizados antes de cada salto e assim vou limpa e disposta, mas só com meu próprio corpo. Não sei carregar o peso da armadura que me defenderia. E assim aprendi a andar à beira dos abismos, a contornar margens e ter a paciência de decidir quando é a hora exata de saltar, a hora exata de cair. Ou de sobreviver por um milagre e chegar ao que sempre quis, tão surpresa que não sei o que fazer com o sucesso.
E como é que você vai? Quase nunca sei. Não sei do que você atualmente gosta, da cor da sua camisa preferida, dos sonhos que você carrega, dos ódios, dos passos em falso, das armadilhas. Eu não sei do quanto de amor e de compaixão ainda restam do outro lado do silêncio. Não sei se o medo é de não poder sentir ou de não poder mentir. De não precisar mentir; porque a superfície de toda perfeição me cansa e eu acho uma graça todos os seus defeitos, você sabe - o que de alguma forma acaba com a necessidade de sorrisos artificiais, frases feitas, lugares-comuns e variantes. Assusta. Como se o personagem que passamos bom tempo criando para agradar já não sustentasse um significado capaz de alimentar as doídas etapas de uma longa ausência.
- É claro que você podia ter ligado. Mas não o fez.
- Eu queria.
- Querer nunca foi suficiente pra dar um outro rumo ao que sempre foi nosso.
- Dúvidas são sempre nossa única certeza.
- Certo. E quem está preparado para deixar de falar a esmo e começar a cumprir um roteiro há muito pré-determinado, não é?
ouvindo: O Teatro Mágico, Durma Medo Meu
Segunda-feira, Junho 02, 2008
enviado por Cintia M. @ 9:18 PM
PRELÚDIO
Um e-mail, carta, telegrama; sinais de fumaça ou pombos-correio, se preferir. A escuridão da noite acena; não temos voz. Qualquer coisa entre o seu silêncio e o meu pode se tornar uma pista das nossas fraquezas discutíveis. Ninguém se revela e o medo permanece inalterado.
Então o dia. Sol a pino, vento leste, bonita manhã. As pessoas passam sem que eu as veja, borrões coloridos. Uma ficha, um sinal, e a música entra na hora certa, triunfante: nenhuma palavra através da sua boca ou da minha, todo o resto em suspenso, visões ensaiadas. Engraçado como tudo o que se espera demais parece tão simples quando frente a frente se vê. E nem temos tempo. Como acabar algo que ainda não começou? Pausa, corte, próxima cena. O início sempre tão perto do fim, por favor não segure a minha mão, não descubra, não revele, não faça perguntas, não crie álibis nem invente histórias; apenas esteja. E ao estar seja como um desses tabuleiros em que as regras há muito foram estabelecidas, mas ainda posso ter a escolha de não jogar - para não perder.
ouvindo: Antônio Villeroy, Sinal dos Tempos
Terça-feira, Maio 27, 2008
enviado por Cintia M. @ 9:47 PM
ANTES DE DORMIR
Sentimentos que partem:
Acho que eu devia, não devia?, contar como é que foi pra mim, como é que aquela noite aconteceu. Tudo o que fomos antes ou depois foi decidido ali, e você nem estava, eu não estava, nós. Nossos nós sempre foram mais significativos que nossas explicações, então o que se pode dizer: que o fim foi deveras pertinente? Um silêncio que acabou com os sorrisos; céu nublado, ausências. Uma canção nomeando e marcando a passagem da via úmida de uma mentira doce, mas frágil, à via seca de uma separação. Um corte. E no abismo entre dois espaços eu estive suspensa por uma esperança, mais do que nunca, variável.
Ninguém soube.
O perigo de uma visão é não acreditar nela? Ou então acreditar, e duvidar de tudo o que se viveu antes. Eu vi, não tive escolha senão ver - estranho é todos os seus passos serem espelhos de uma vida que ainda não se teve, mas que ainda virá. E eu me assusto com boas possibilidades, confesso. No entanto, ironicamente, boas possibilidades eram tudo o que eu tinha, até que. Até o ponto de uma dor. Chega um momento em que você está pronto, eu estive, e então era como não precisar de grandes expectativas, e isso dói. Dói porque é como estar solto sem saber para onde ir - campo vasto, nenhuma voz, nenhum som. Teus pés, somente, e tudo é permitido. E quando tudo me foi permitido eu coloquei uma canção para tocar, pensei em você e do fundo do armário tirei todas as minhas chaves, sim? Quando tudo foi permitido, eu fechei os olhos e senti, como quem pressente uma tragédia: eu já não me pertencia. E não me pertencendo, não tinha como escolher, e não escolhendo, restava apenas o tempo. Até que, como areia, meus desejos não-assumidos fossem apagados pelas águas, pelas ondas, ressacas, furacões. E ninguém saberia.
Trancas bem-postas, cadeados. Em alguns momentos o olhar é o suficiente; nada transparece. O sono não veio e a canção continuava, em seus três minutos eternos, repetindo uma palavra que tão pouco na vida usei, fire*, e a idéia sugerida pelo verso me soa tão abstrata, tão desconfortável como um líquido que desce rasgando a garganta, ao invés de matar a sede. Minha sede sempre foi sã, até ali, até sentir que o que me servia antes agora era mais um enigma cansativo, sem solução. Eu queria a única porta que não me era dada, e recusava todas as outras que me ofereciam; capricho de criança? Talvez ainda não tivesse crescido. Talvez soubesse que para crescer é necessário tentar permanecer fiel ao que se acredita, mesmo que nada conspire a favor e o final se estabeleça aleatório, vontades alheias, íntimas condenações.
O instante derradeiro existe? Aquele em que ainda é possível abrir um caminho, ou fechá-lo. Se existe, você sentiu; porque o telefone tocou e do outro lado, vago, um comentário cheio de hesitação soprou frio diante do meu corpo. É claro que a gente espera, não espera?, que nada seja tão ruim, que nada seja tão perverso, que nada seja tão simples quanto um sopro, sutil e efêmero, decisivo. Meu coração apertou e assim, pensei, está acabado, por mais que, por mais que sempre eu, adeus. Cai o pano, hei de agüentar, a noite é longa; não vou tomar nada, o sono é sempre tenso, meus braços sentem falta da paz, do sonho, mas nenhum fingimento cabe por dentro. Espaço apertado para disfarces que nunca foram meus.
Resta saber se. Seja como for, você nunca saberá.
(*Rosie Thomas, The One I Love)
Sexta-feira, Maio 23, 2008
enviado por Cintia M. @ 9:49 AM
CONTINUAÇÕES
"Já fiz coisas heróicas, mas não morri em seguida e o prosseguimento da vida banalizou meu feito."
(Adélia Prado)
Segunda-feira, Maio 19, 2008
enviado por Cintia M. @ 9:13 PM
VENENO
Quanto medo, você me diz. Quanto medo de precisar parar de correr, de fugir. Nós estudamos bem todas as retiradas, aprendemos a não calafetar as saídas pensando justo nas emergências - mas, é esse o sentido? Olhar bem no fundo dos olhos e depois tentar, com todos os artifícios, esquecer o que se viu? Porque uma vida não pode estar nunca preparada para o fim da linha, para o ponto final do livro, para a última porta antes do salto; afinal, quem é que tem a coragem de começar tudo de novo ali adiante?
Quanto medo, eu reconheço. Seus olhos mentem uma paz cômoda de quem consegue o que quer e não vê além, graças aos limites bem determinados que você se colocou. Há uma certa felicidade nisso. Ri-se, fica-se agitado, triste, decepcionado, excitado, ansioso, e no fim - não, não há fim, há uma espécie de perpetuação da rotina, reticências eternas. Um estado de erraticidade do pensamento, em que não há outro lado porque não há escolha, porque não há poréns. Uma certa paz, um gosto bom. O gosto da constância.
Mas o que é remédio pra alguns, a outros envenenaria.
E tudo isso é porque eu não sei esperar. Semeadura, chuvas, florescer, tempo de colheita; por que eu violo os ciclos até que nada mais pareça estar em coerência? E o que é a coerência, você sabe? Uma linha reta que nos permite curvar a cabeça ao incompreensível, um padrão, uma regra, uma aceitação de sabe-se lá o que em nome de uma normalidade que alguém assegurou ótima. E se eu não quiser o ordinário de uma normalidade previamente estudada, isso significa que estou defendendo o caos? Mas não é ele o início de tudo? Diz a Bíblia... Leia lá.
Não temos medo do fim, temos medo do começo. Que vem atrelado a cada derrota, a cada vitória, a única coisa verdadeiramente democrática: fins e inícios são para todos. Não importa de onde viemos e para onde vamos; o movimento não pára. Então foi o ponteiro que parou? Qualquer mecanismo de defesa regendo sinapses atrasadas... E o mundo parece mais um filme em câmera lenta cujo controle ninguém se atreve a procurar.
ouvindo: Jordin Sparks, Worth the Wait
Domingo, Maio 11, 2008
enviado por Cintia M. @ 9:54 PM
RASCUNHOS
Sabe aquele bilhete? Aquela música, aquelas fotos, aqueles sorrisos. Aquele copo de vinho. Sabe aquelas palavras que nunca foram ditas? Aquelas dores que nunca foram curadas. Aqueles cortes que deixaram manchas de sangue nas minhas roupas. Aquelas noites em claro. Aqueles dias de vento frio no rosto, quando nada mais era importante. Sabe aquele medo de que uma vida não fosse suficiente pra caber tanto que havia dentro do peito? Porque havia; sempre houve. Aquilo tudo era rascunho, rabisco. Sabe aquela caixa? Aquele baú antigo, encostado num canto da sala. Fechado a chave. Cadeado. Foi tudo parar lá, enfiado cuidadosamente numa balbúrdia incompreensível. Mistura de sentimentos que ficaram no esboço, devidamente embalados por um material que só o tempo destrói. Acima de tudo, o tempo. Pairando senhorialmente sobre os pedaços que me constroem. E aquele baú.. Ah, resumo de uma vida que aconteceu em minutos eternos. Aquele baú sou eu.
amigos
- metáfora
- relation-chip
- mizlilian
- música e poema
- papo de mulherzinha
- resquícios iê-iê-ié
- chopp com groselha
- mundo agni
- how soon is now?
- anos blues
- imperfeitamente
- do sétimo andar
- (marta)
- opúsculo
- retrato em branco e preto
- brocados de quimera
- pale green eyes
- freud entenderia
- travessia
favoritos
- mojo books
- multiply
- saraiva
- nobel
- amazon
- thousand images
- guia de cinemas - rj
- testemunhou algum crime na internet? denuncie!
